quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Justiça suspende aumento abusivo de tarifa da Caema

Por John Cutrim


(20h50) Em decisão prolatada ontem à noite, a justiça suspendeu a cobrança da 2ª parcela do reajuste da tarifa de água e esgoto pela Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão (Caema), que entrou em vigor a partir do dia 1º de janeiro de 2013.

A decisão do Tribunal de Justiça atende pedido ajuizado pela 2ª Promotoria de Justiça de Defesa do consumidor no último dia 19 de dezembro. Propôs a manifestação ministerial a promotora de justiça Lítia Teresa Costa Cavalcanti.
Em nota oficial, publicada em alguns jornais, a Caema informou que o aumento seria apenas de 13 por cento, no entanto, em algumas faixas, o reajuste chega a 38 por cento.

O aumento que o governo do estado pretende implantar nas tarifas cobradas pela Caema de 13% é apenas uma pequena parcela do reajuste, que fica em até 38%. Há consumidores que irão receber 30, 35, 38 por cento, principalmente os que consomem menos; os 38 por cento somados com os quase 80 por cento do ano passado, totalizam quase 130 por cento de aumento.
O deputado estadual Bira do Pindaré e o então vereador Batista Matos também chegaram a entrar com ações na justiça visando anular o reajuste que estava sendo proposto pela Caema.
Descumprimento

No ano de 2011, ficou estabelecido, por meio da Resolução nº 001/2011 da Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado do Maranhão, que a Caema faria um realinhamento de suas tarifas em duas etapas. A primeira parcela do aumento foi aplicada em janeiro de 2012. A segunda começaria a partir de janeiro de 2013.
Como condição para os reajustes da tarifa, o Ministério Público do Maranhão (MPMA) propôs um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), contendo uma série de medidas e políticas públicas com o objetivo de melhorar a qualidade dos serviços de saneamento oferecidos pela empresa, entre os quais, obras para a melhoria dos sistemas Italuís, Sacavém e Paciência; recursos para abastecimento de carros-pipa; implantação de 100 mil hidrômetros; licitação para execução de projeto para produção e distribuição de água na grande São Luís; execução do projeto dos sistemas de esgotamento das bacias do São Francisco, Anil e Vinhais.
No fim de 2012, foi constatado que a empresa não concluiu nenhuma das obras, não tendo cumprido as melhorias exigidas pelo TAC, após um ano da assinatura do acordo e da aplicação da primeira etapa do reajuste.
Apesar do aumento, segundo a promotora de justiça Lítia Cavalcanti, os consumidores de todo o Maranhão continuaram a sofrer com a falta de água, pagando empresas privadas de carros pipas para ter um serviço de primeira necessidade em casa.
A situação se agrava a cada dia com a constante interrupção no sistema de abastecimento causada pelos rompimentos na adutora do Sistema Italuís. Além da descontinuidade do abastecimento de água, o tratamento de esgoto não é realizado de forma completa, desrespeitando o art.3º da Lei nº 11.445/2007. “O reajuste tarifário praticado acima dos índices da inflação do período, aliado a um processo histórico de má gestão da companhia, não pode onerar o orçamento doméstico do consumidor, comprometendo a sua dignidade”, sustentou Lítia.

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